O Primeiro ensaio agente sempre esquece. Mas tendo o tempo como aliado, revisitar é praticamente ver com outros olhos.

Talvez o que eu diga como preâmbulo desse post, seja totalmente contraditório ao título, mas numa sociedade contemporânea o que não é contraditório não é nada.

Lembro-me como se fosse hoje da preparação do ambiente para realizar um ensaio fotográfico com uma Pentax k1000, uma tocha de flash Atek de 180 w e um monte de tralha que eu julgava ser imprescindível nas tractanas que se sucederiam. A modelo, obviamente, se tratava de uma namorada, a maquiadora a própria modelo e o restante como não poderia deixar de ser, se resumia em mim!

Era a precariedade aliada à vontade e um pulular de idéias que só viriam a ser concatenadas com o passar do tempo, muito tempo! E o veredicto da época, é claro, era de um resultado completamente insatisfatório para todos os dois envolvidos na sessão fotográfica.

A minha falta de capacidade enquanto leitor era muito maior que minha desabilidade enquanto produtor de imagem e o benéfico da dúvida seguiu preservado em uma gaveta.

Há pouco tempo revistei meus arquivos “quase mortos” e para minha surpresa lá estava meu primeiro ensaio. Há quase vinte anos chafurdados entre documentos, releases, obras inacabadas, anotações, devaneios, enfim, em uma espécie de relicário latente em busca de absolvição.

Claro que não se trata de uma obra de arte esquecida, mas soou muito melhor que um vírus incubado que é reativado após 20 anos de desolamento. Do trabalho todo, restaram apenas quatro imagens, que de certa forma compõem um pequeno ensaio e de uma maneira quase “naif” deixa claro o poder de execução e não apenas a promessa de um potencial.

Essas são as minhas palavras.

Eu gostaria de compartilhar e obter opiniões sobre essas imagens.

 

CabeçAUM

O Centro Nervoso da AUM Graphic Design.

AUM Graphic é um escritório de design gráfico, baseada num quintal e formada por uma equipe de um homem só. Mesmo com essa informalidade toda, o cabeção responsável pelo escritório teve que ser fragmentado em duas partes: A AUM propriamente dita que representa a prestação de serviços, ou córtexAUM para justificar a analogia anatômica, e o centro nervoso, desatrelado, descompromissado, despretensioso, questionador e descalço, a MedullAUM – lê-se Medullão – A proposta desse espaço é exatamente disponibilizar conteúdo desatrelado do cerne comercial que justifique a existência desse cabeção que não pode parar de funcionar.

Blog um exercício textual.

Quando me propus a criar um blog, sabia de início que seria um grande exercício. Eu poderia falar, ou melhor, escrever sobre meus trabalhos e nesse sentido fazer uma autocrítica do que produzo e me testar enquanto interlocutor. Mas nunca imaginei que um dia eu teria coragem de postar minha despretensiosa produção textual.
Deixemos um pouco as imagens de lado. Esse “post “refere-se apenas e tão somente aos meus escritos.

texto_01: Marina

Pobre Marina

Vultosa importância

Acalentas distâncias

Sustentas o lar


Suave Marina

Chegada e partida

Em brisa respiras

O canto do mar.


Ave Marina

Portuas crendices

Dispensas tolices

Recantas a fé.


Reage Marina

Atraca à vida

Desfaze medidas

Culmina mulher.


Texto_02: O começo do fim é fim do começo


O começo da pipoca é o salto

O fim do salto é o chão

O começo da queda é o alto

O fim do alto é anão

O começo do namoro é o fim da amizade

O fim da razão é o começo do padre

O fim da memória é esquecer

O começo da glória é morrer

O fim do saber é não crer

O começo da morte é viver

O fim da causa é o começo do efeito

O fim da alma é o começo do leito

O começo do fim é o fim do começo

O meio do texto é papel

O meio do dedo é anel

O meio do nada é nada

O meio de tudo é cada

texto_03: Beatriz.

Ô Beatriz, o que foi que eu te fiz.

Para que me fizestes acordar assim

Não sei se parti ou se ali fiquei

Não sei se morri ou se morrerei

Ô Beatriz eu mal a conheço

Será que eu mereço.

Esse momento pra sempre

Essa angustia latente.

Ô Beatriz, qual seu interesse.

Que eu sobrevivesse.

Para rever meus valores.

E viver meus amores.

Ô Beatriz com que intenção

Segurastes minha mão.

Ao testar minha fé

Sobre o que é ou não é

Ô Beatriz com que direito

Causastes esse efeito

De escrever para ti

E contestar o que vivi.

Diz Beatriz,

Se é coincidência

Ou apenas destino

Se é penitência

Ou um desatino.

Se é puro acaso

Ou é força oculta

Se houve descaso

Pago essa multa.

Diz Beatriz

Quem é você

Eu só sei o seu nome

Quem é você

O que quer que eu tome

Quem é você

Qual a sua magia

Será por você

Que a morte se adia

Texto_04: Fênix

O poder a mim concedido

De ressurgir das cinzas

Só fez alimentar

O desejo de ser cinza.

Não peço para que me tinjas

Dê-me cores definitivas

Renuncio a eternidade da fênix

Por um momento como

O marido da cabeleireira

A criatividade, muitas vezes, consiste em reinventar o processo de criação.

Meu Amigo Marcelo Orlandi me pediu para que eu escrevesse sobre o processo de criação de sua nova marca “Miríade Digital”. Como conceber essa marca, foi um marco para mim, tentarei discorrer sobre o processo de concepção de maneira geral.

O Devir miridiático

Não há nenhum tipo de regra que permeie o processo de concepção visual, nenhuma cartilha a ser seguida ou padrão estabelecido, aliás, se houvesse qualquer macete nesse sentido perderíamos o caráter subjetivo da criação, mesmo se tratando de um processo para fins comerciais. O que há sim é um código de signos que norteiam essa linguagem e um compromisso com o resultado, mas no momento o que me interessa são os meios para alcançá-lo.

Premissas existem, e como em quase tudo é formada basicamente por uma tríade: O compromisso com o mercado, a compreensão dos anseios do cliente e o alinhamento dos dois fatores pela capacidade criativa de quem concebe. A partir disso, cabe ao desenvolvedor gerar o seu processo criativo, seus dispositivos de analogia e a destreza ao trabalhar com os signos que envolvem cada processo de maneira singular.

Vez ou outra o processo pode se tornar exaustivo em demasia e cabe ao criador identificar onde residem os nós que estancam o processo e desatá-los, porém, inevitavelmente caímos em tentação de transferir a responsabilidade desse momento estanque ao cliente, mas que fique claro, quando se chega nesse ponto é hora de rever sua capacidade de compreensão junto ao cliente ou de reciclar a maneira de perceber e conceber seu pequeno universo simbólico. Em outras palavras, o exercício diário de transitar nesse purgatório inconteste que oscila entre a permissividade e a altivez do criador, é um grande passo em busca dos resultados harmônicos e consensuais.

Assim sendo, o grande exercício é desenvolver formas diferentes de processo criativo ou formas criativas de concepção e de certa maneira incorporar à frase de Marshall McLuhan, “O meio é a mensagem”.

... e assim nasceu a "Miríade Digital".

Poética Visual não necessita de escoras.

Na construção de uma poética visual, contradições fazem parte apenas do discurso. Se as imagens não dão conta, em si, a contemplar uma mensagem, os discursos servem apenas muletas. Mesmo ao construir um balé de muletas, não vejo nenhuma contradição no resultado, mas sim, e tão somente a animação de objetos no imaginário da dança. Se repararmos nos fios de Nylon que sustentam as muletas, sem os quais não seria possível sustentá-las, posso dar a eles o papel de muletas, mas mesmo assim, mais uma vez, não teríamos nenhuma contradição, mas uma re-significação. Em outras palavras, o discurso que escora qualquer produção poética, o faz sempre em detrimento da construção de uma mensagem.

Portrait não é exorcismo, não temos acesso à alma de ninguém.

Toda e qualquer fotografia, sem ressalva, faz parte de um processo de manipulação. A construção de uma poética visual nada mais é do que fazer o uso adequado de signos a compor um resultado previamente pensado, em outras palavras, é manipulação pura. Então, pensar a fotografia, construir uma imagem, pressupõe dominar os signos e trabalhar seus descolamentos dentro de um código ou uma linguagem, transgredindo-os ou não. No caso dos retratos a coisa fica muito mais interessante, pois a altivez do sujeito e a permissividade do objeto mascaram o poder da tecnologia, essa sim a grande manipuladora.

Que fique muito claro. Trabalhar a mercê da tecnologia ou do objeto, ou estar consciente dessa inversão não diminui em nada o olhar atento de um fotografo, ao contrário, aguça consideravelmente sua percepção dentro de um universo primordialmente simbólico.

Sejamos então vítimas conscientes e confessas dessa profissão deliciosa. e não nos deixemos cair em tentação de pensarmos ter o controle total da situação.

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Concepção Visual de Marcas

Ironicamente concebi esse espaço na tentativa de discernir meu eu pessoa física da pessoa jurídica AUM que nada mais é que meu eu comercial. A intenção foi ótima e como de boas intenções o inferno está cheio, ao alimentar esse espaço com materiais selecionados, percebi que tal discernimento não passou de uma grande perda de tempo.

Assim resolvi, deliberadamente, disponibilizar meu catálogo de marcas, trabalho comercial sim, mas com um grande diferencial. Eu!

As marcas estão representadas dentro de suas respectivas ambiências e contextos conceituais que as conceberam.

Um certo fascínio por escadas.

Mais que subir e descer. Um exercício à imaginação.

Alerte à l'oeil

Alerte à l'oeil

 

Todo tipo de predileção que não conseguimos precisar com exatidão sua origem, ou não temos nenhum evento que sirva de parâmetro para essa suposta origem, podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que é uma predileção “desde sempre”. Não tão forte como o “pra caralho” ou o “nem fodendo” de Millôr Fernandes, mas ainda quanto sua origem, com direito a um significativo “foda-se”. Falo isso, pois tenho uma verdadeiro fascínio por escadas, quase uma obsessão. Sempre achei que os elevadores foram criandos não pelas leis de mínimo esforço dos tratados de ergonomia, mas para simplesmente ocultar oque uma edificação tem de mais enigmático. Suas escadas. Eu creio, ainda hoje, que somos privados das entranhas dos edifícios e consequentemente dos segredos que por ventura possam haver nesses corpos de concreto armado. E é incrível como a tecnologia nesse sentido, no caso os elevadores, são mais um dos tantos elementos proliferadores da catarse que mutilam nossa percepção. 

Una escalera en Habana

Una escalera en Habana

Divagações à parte, entre o começo e o fim de uma escada há um universo simbólico tão interessante, que vão muito além de suas linhas estéticas. É um aguçamento ao imaginário, que poucas pessoas ainda conseguem sentir, fora as crianças que ainda não tiveram sua percepção contaminada, e mesmo assim, dizem se tratar de um universo onírico.

Penso em organizar um editorial com imagens que expressem essa sensação. No momento, ficam essas poucas imagens que colhi nas minhas andanças e espero que desfrutem um pouco desses corpos inanimados e sobrepostos que nos levam muito além da imaginação!

le labyrinthe des papes
le labyrinthe des papes

Você pode até afirmar que eu viajo,

mas se é pra viajar, prefiro ir de escadas!

Uma certa Bahia de um certo amigo.

onde tudo começou

onde tudo começou

Há tempos que eu gostaria de conhecer partes do Brasil por intermédio de alguém que lá vivesse ou mantivesse vínculos fortes com suas origens. Ao desenvolver um projeto de identidade visual e ambientação de um sushi bar em Avignon França para um amigo baiano que viveu até sua pré adolescência num vilarejo no sertão baiano, pude experimentar de forma muito interessante a união dos serviços que presto em design gráfico com uma viagem ao fundo da alma, onde traduzi em imagens, as histórias que há muito tempo conhecia sobre os moradores de Umbuzeiro. Não quero identificar essa experiência como um trabalho de pesquisa etnográfica de teores antropográficos ou defender qualquer tese pseudo acadêmica a tentar explicar ou valorizar com discursos o que de fato ocorreu. Eu gostaria que as imagens falassem por elas mesmas e que pudessem despertar um pouco do sentimento de alegria que vivenciei e compartilho com os que tenham acesso a elas, quem seja nesse espaço, quer seja no restaurante na França onde estão expostas, quer seja em Barcelona onde fizeram parte de uma exposição sobre o Brasil, ou em qualquer lugar onde elas possam, por ventura, chegar. A verdade é que viajei sim a trabalho, para captar imagens no interior baiano com o propósito único de decorar o sushi bar desse meu amigo (Jenelson dos Santos) e lá as coisas aconteceram de forma surpreendente. Os valores foram colocados a prova e o resultado foi no mínimo incrível, pelo simples fato de saber que se pode captar alegria em qualquer parte do mundo sem vínculos estereotipados de uma indústria e de uma estética da miséria.

Identidade Visual Corporativa

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A identidade visual corporativa  vem se convertendo num tópico de frequentes discusões. É surpreendente, se considerarmos, apenas, a vitalidade que se pode ter ao estabelecer e realçar a imagem pública de uma empresa ou instituição e a concepcão de valores, por assim dizer, indispensáveis. Esse último tem especial relevância numa era marcada pela igualdade de produtos e suas características, e pelo crescente fluxo de informação. Mais do que nunca cada empresa deve diferenciar-se das demais e acima de tudo destacar-se. Uma identidade cuidadosamente construída e sua posição frente ao seu mercado, são ajudas imprescindíveis para que uma organização sobresaia frente à concorrência.
Em um projeto de Identidade Corporativa, há um conglomerado de aspectos que tangem da direção ao desenho, e o Manual visual dessa identidade é o primeiro passo constituinte dessas premissas, dentre tantos outros que por ventura virão.

Abaixo, alguns logotipos criados pela AUM – Graphic design, que tiveram seus respectivos manuais de identidade visual corporativa também desenvolvidos:

Uma resposta para “Identidade Visual Corporativa”

  1. WrigWeeme Disse:

    Please move me if this is the wrong category to post to. You can call me Andriana. My Hobbies are Fitness guide I’ll be reading more at medullaum.wordpress.com http://cparenegadereviews.com/cpa-renegade-reviews.gif

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